No Dia Mundial de Conscientização do Câncer de Ovário, a informação correta se torna a principal aliada contra uma doença que ainda enfrenta grandes desafios de diagnóstico. Estima-se que cerca de 8 mil novos casos sejam registrados por ano no país, segundo dados oficiais. Um dado alarmante se repete: aproximadamente 80% dos diagnósticos acontecem em fases avançadas.
Para esclarecer o tema, uma médica oncologista explica os pontos essenciais sobre sintomas, rastreamento e os avanços da ciência no tratamento.
Mitos e verdades sobre a doença
1. O câncer de ovário apresenta sintomas claros desde o início? MITO. Essa é uma das principais razões para o diagnóstico tardio. Os sinais iniciais são pouco específicos e podem ser confundidos com desconfortos gastrointestinais comuns. Os sintomas mais frequentes incluem inchaço abdominal persistente, dor pélvica ou abdominal, sensação de estômago cheio rapidamente e alterações nos hábitos urinários e intestinais.
2. Existe um exame eficaz para rastreamento precoce em toda a população? MITO. Diferente do câncer de mama ou do colo do útero, não há um método de rastreamento populacional validado para o câncer de ovário. Exames como ultrassom transvaginal e a medição do marcador CA-125 são ferramentas complementares para grupos de risco ou investigação de suspeitas, mas não têm precisão suficiente para triagem em larga escala.
3. A maioria das pacientes é diagnosticada em estágio avançado? VERDADE. Mais de 70% dos casos são identificados nos estágios III e IV, quando a doença já se espalhou pelo abdômen. A conscientização é essencial porque, quando detectado precocemente, as chances de sobrevida em cinco anos podem chegar a 90%.
4. O tratamento evoluiu nos últimos anos? VERDADE. A abordagem deixou de ser baseada apenas em cirurgia e quimioterapia convencional. Hoje, a ciência utiliza a biologia molecular para criar terapias-alvo. Esses novos medicamentos atuam em mecanismos específicos das células tumorais, reduzindo significativamente o risco de progressão da doença.
5. A testagem genética auxilia no direcionamento do tratamento? VERDADE. A identificação de mutações em certos genes é fundamental. Mulheres com determinada mutação têm maior risco de desenvolver a doença ao longo da vida. O teste genético não apenas orienta escolhas clínicas mais assertivas, como também permite o acesso a terapias inovadoras.
